Sexualidade

Geração Z faz menos sexo que as anteriores e este é o motivo

Segundo especialista, os jovens dessa geração apostam mais em relações honestas e transparentes, baseadas mais no afeto

A geração Z é aquela dos nascidos entre os anos de 1996 e 2010 e, segundo algumas pesquisas, esta geração está fazendo menos sexo.

A mudança de comportamento entre eles e as gerações anteriores, por exemplo, foi confirmada em uma pesquisa feita em 2019 pelo Instituto Datafolha com 1.800 homens. Na época, 24% deles tinham entre 18 a 24 anos e não tinham tido relações sexuais nos últimos anos.

Mas a tendência é observada também fora do Brasil. Nos Estados Unidos, a Universidade de Rutgers fez uma pesquisa, em 2021, que mostra que os americanos entre 18 e 23 anos estavam fazendo 14% menos sexo que os millennials, que correspondem aos nascidos entre 1980 e 1995.

Outro dado confirma a mudança de comportamento nos últimos tempos. De acordo com um estudo apurado pelo Instituto Karolinska, na Suécia, em 2020, 31% dos homens e 19% das mulheres, entre 18 a 24 anos, disseram não ter tido relação sexual nos 12 meses que antecederam a pesquisa.

Resultados dessa pesquisa correspondentes a 18 anos antes mostram números bem diferentes. Em 2002, menos de 15% dos homens e 20% das mulheres, da mesma faixa etária, não faziam relações sexuais.

Mas qual seria a explicação?

De acordo com o psicólogo Marcos Santos, especialista em sexualidade da plataforma Sexo Sem Dúvida, em entrevista ao site ND Mais, a geração Z aposta mais em relações honestas e transparentes baseadas mais no afeto do que no sexo.

“A geração Z parece ter uma visão muito pragmática dos relacionamentos em comparação às gerações anteriores e está fazendo menos sexo também em decorrência dos ‘efeitos colaterais’ observados nas relações dos outros, como de seus pais, irmãos mais velhos, amigos”, explica.

Marcos também acredita que “os millenials levaram mais tempo para se casar porque estavam ocupados aproveitando a vida de solteiro, o sexo prioritário”. Algo diferente para a geração Z, que vem com “uma aversão ao modelo tradicional dos relacionamentos de longo prazo”, já que é “mais introspectiva sobre os tipos de relações que desejam ter, onde sexo não é prioridade.”

Principais fatores

O especialista ainda defende que um dos fatores para a mudança de comportamento pode ser o período em que a geração Z se tornou adulta, como a instabilidade financeira, já que “muitos acreditam que precisam atingir a estabilidade sozinhos antes que outra pessoa entre em cena”.

“Eles sabem que são responsáveis pelo seu próprio prazer, sucesso e felicidade e que precisam ser capazes de cuidar de si próprios antes de cuidar dos outros”, completa.

Além disso, na visão do psicólogo, na geração Z há um aumento das pessoas dispostas a explorar a sexualidade de forma aberta e livre. É uma geração mais aberta para manifestações sexuais e relacionamentos diversos, principalmente pela ruptura no padrão dos estereótipos de homens e mulheres do século 20.

“A geração Z está rejeitando alguns aspectos da sexualidade, em particular aqueles condicionados a valores e padrões de comportamento aos quais se submeteram seus pais e avós. Se a geração passada procurava alguém da mesma religião ou das mesmas opiniões políticas, a atual está procurando honestidade, paixão e autenticidade.”, completa.

A visão trazida pelo especialista reflete em uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, em 2017, pela agência J. Walter Thompson Innovation. O estudo mostra que menos de 50% dos jovens da geração Z se identificam como heterossexuais. Apenas 48% dos adolescentes consultados se declararam 100% heterossexuais – entre os a geração anterior, os millennials, o número chegava a 65%.

Marcos ainda afirma que a tecnologia “não necessariamente impacta a vida sexual dessa geração”. “Por terem nascido em uma era completamente digitalizada, eles já não fazem nenhuma distinção entre o que é o mundo online e o que é o mundo offline, apesar de terem recursos tecnológicos para encontrar uma parceria mais adequada, de forma que as gerações anteriores nunca imaginaram”, completa.

Tendência de comportamento

O psicólogo Marcos Santos conclui que “é difícil distinguir se a geração Z está moldando a sociedade com essa postura ou se é a sociedade que está moldando a geração Z para esta postura”. Além disso, completa que a sociedade está mudando de comportamento e cada geração tem ideias mais flexíveis sobre relacionamentos.

No entanto, para o profissional, a “geração Z está inserida em um mundo incerto, já que os problemas que afetaram os millennials, como a questão política e econômica, se tornaram ainda mais sérios, e novos problemas surgiram, como uma pandemia”.

“Isso poderá fazer com que a estabilidade individual, física, mental e financeira se torne a prioridade número um para a geração Z e para seus descendentes”, afirma.

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