Saúde e Bem-estar

Saúde mental: o que é TDAH e porquê é importante tratá-lo precocemente

Estima-se que há no Brasil cerca de 2 milhões de indivíduos nessa situação

Saúde mental: o que é TDAH e porquê é importante tratá-lo precocemente

Muitos são os estereótipos que cercam pessoas que sofrem com o TDAH ou o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, como preguiçosos, desmotivados, rude, inquieto ou agressivo. Mas afinal, o que é o TDAH e como podemos tratar a condição?

A psicóloga social Roya Kravetz, que trabalha com pessoas com TDAH há mais de 20 anos, indica em entrevista ao site La Vanguardia, que esses problemas nas funções executivas do cérebro “não permitem que elas comecem e terminem um trabalho, tenham noção da passagem do tempo, controlar as emoções. Eles ficam entediados e frustrados muito rapidamente. Além disso, eles recebem muito incentivo. Estão sempre com vinte coisas em mente. É como viver com o barulho da interferência constante”, explica.

Ela comenta ainda que o TDAH pode paralisar sua vida e, em sua opinião, a falta de conhecimento geral faz com que “pessoas com TDAH passem por preguiçosas. Dizem-lhes que são estúpidos, que não sabem nada, que lhes falta força de vontade. Eles se veem assim e têm baixa autoestima, o que é muito perigoso”, completa.

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Segundo dados da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), no Brasil estima-se que cerca de 2 milhões de indivíduos vivam nessa situação. O TDAH é um transtorno de desenvolvimento caracterizado por impulsividade, desatenção e agitação.

Quando a hiperatividade predomina, “a princípio ele parece uma criança rude, descontrolada, que poderia se comportar bem, mas não quer cumprir as regras. Eles são exaustivos. É difícil para eles incorporarem hábitos e rotinas de higiene diária. É mais óbvio, porque eles se movem com mais frequência. São crianças que invadem o espaço do outro, têm dificuldade em revezar e interromper. Eles tendem a ser impulsivos, o que significa que às vezes podem se colocar em situações de risco”, explica a especialista.

A diretora da Fundação Adana Beatriz Mena Pujol explica que o TDAH é um transtorno neurobiológico caracterizado por três sintomas principais: déficit de atenção, hiperatividade motora e/ou vocal e impulsividade. É um distúrbio que afeta o sistema executivo do cérebro, ou seja, há “uma desaceleração nas funções responsáveis por estabelecer uma meta e cumpri-la, regular a motivação e sustentar a atenção, sendo capaz de realizar ações de forma planejada e organizado, coletando as informações que tenho do meu passado para poder agir da melhor forma”.

Beatriz Mena Pujol indica ainda que “em geral, a saúde mental em mulheres e meninas é sempre um pouco mais negligenciada. No caso do TDAH, acontece que as meninas normalmente não apresentam esse padrão de comportamento tão hiperativo e impulsivo que incomoda ou chama a atenção do adulto e não pedem ajuda profissional precocemente. Isso pode levar ao excesso de esforço e má compreensão por parte do ambiente, o que leva a transtornos do tipo afetivo, como ansiedades ou depressões”.

“A pessoa com TDAH não tem paciência, interrompe, pula na fila. Isso faz com que muitos não queiram estar com eles”, diz a psicóloga Roya Kravetz e concorda que “não receber um diagnóstico pode levar à depressão e ansiedade, uso de drogas ou alcoolismo, entre outras coisas. A busca por estímulos pode levá-los a situações perigosas. É por isso que a falta de diagnóstico e tratamento pode reduzir a expectativa de vida.” De fato, de acordo com um estudo de Russell Barkley e Mariellen Fischer, a persistência do TDAH na idade adulta está relacionada a uma redução de 12,7 anos na expectativa de vida estimada.

Beatriz Mena Pujol confirma que o TDAH está associado a outros transtornos em mais de 80% dos casos. Ao contrário do TDAH, que é neurobiológico, costuma ser outro “mais relacionado à forma como o ambiente interagiu com aquela criança”. Se ele for antipático, é comum que uma criança desenvolva transtorno desafiador opositivo ou opositivo: não respeitar as regras de sua casa ou escola, por exemplo.

Se não for tratada, isso pode se agravar em um distúrbio comportamental: quebrar as regras da sociedade, consumo de substâncias ilegais ou até mesmo atos criminosos. Por isso - insiste o especialista - “o diagnóstico precoce é tão importante e procure aconselhamento profissional em caso de qualquer suspeita. Dependendo de como o ambiente funciona, o TDAH evoluirá melhor ou pior”.

“O TDAH é trabalhado com a pessoa, porque não há duas pessoas com TDAH iguais, mas também com os pais, escola, trabalho, parceiro, que podem ajudar a melhorar ou piorar”, diz Roya Kravetz. Para ela, a chave é “focar em seus pontos fortes. Em vez de pedir ao meu parceiro com TDAH para fazer as compras, que ele provavelmente esquecerá, posso pedir para ele brincar com as crianças.”

Para Beatriz Mena Pujol, “o TDAH precisa de uma abordagem multidisciplinar, onde todas as partes trabalhem juntas com um objetivo comum e respondendo de forma muito particular a cada caso”. Ela defende um tratamento que se apoia em “quatro pilares”: intervenção educativa, onde educadores e pais “devem funcionar como co-terapeutas”; a parte psicológica, que se refere ao trabalho de autoestima, autocontrole e funções executivas do cérebro; o psicopedagógico, relacionado às dificuldades acadêmicas e, se necessário, ao tratamento farmacológico.

“A maioria deles são pessoas muito inteligentes. Uma vez que dominam certas habilidades, elas já se tornam automáticas. Pode melhorar muito”, garante Roya Kravetz.

“Temos que aprender que essas pessoas podem ter aspectos muito relevantes para a sociedade. A superação da etapa escolar e universitária lhes confere estratégias, resiliência e aprendizado. Se tiverem um bom acompanhamento, podem brilhar enormemente”, conclui Beatriz Mena Pujol.

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Aviso

Este texto é de caráter meramente informativo e não tem a intenção de fornecer diagnósticos nem soluções para problemas médicos ou psicológicos. Em caso de dúvida, consulte um especialista antes de começar qualquer tipo de tratamento.

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