Saúde e Bem-estar

Caso da influenciadora Shantal Verdelho expõe um problema sério para as mulheres

A violência obstétrica atinge aproximadamente 25% das gestantes durante o parto ou no período de puerpério

As denúncias recentes feitas pela influenciadora Shantal Verdelho, contra o médico obstetra Renato Kalil, expôs um problema sério para as mulheres no Brasil. De acordo com uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo, de 2018, cerca de 25% das grávidas do país já passaram por uma situação de violência durante a gravidez ou no momento do parto.

Um outro estudo revela números ainda mais alarmantes. Quase metade das mulheres que fazem seus partos na rede pública de saúde, sofrem algum tipo de agressão. Os dados são da pesquisa Nascer no Brasil e destaca que 45% das mulheres atendidas pelo SUS no parto são vítimas de maus-tratos e 36% já passaram por algum tratamento inadequado.

O caso de Shantal veio à tona no último sábado, 12, depois que áudios e vídeos enviados por ela a grupos de amigos, vazaram na internet. Em seu relato sobre o que ocorreu durante o nascimento de sua filha, Domenica, em setembro, Shantal diz: “Quando a gente assistia ao vídeo do parto, ele (Renato) me xingava o trabalho de parto inteiro. Ele fala: ‘porr*, faz força. Filha da mãe, ela não faz força direito. Viadinha. Que ódio. Não se mexe, porr*’”.

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No vídeo vazado é possível ver Renato Kalil dizendo para que ela fizesse força e, em seguida, falando palavrões. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) abriu nesta segunda-feira,13, um processo interno de apuração sobre as denúncias.

Depois do relato de Shantal, outros casos envolvendo o médico obstetra começam a vir à tona também, como o da jornalista britânica Samantha Pearson, correspondente no Brasil do jornal The Wall Street Journal. Segundo a jornalista, ela teria sofrido assédio moral no parto de seu primeiro filho.

“Ele falava da minha vagina como se eu não estivesse ali. Passei semanas chorando sozinha em casa, sem saber se ele tinha dado mais pontos do que o necessário, com medo de transar, de sentir dor. Fui a outros médicos para saber se isso podia ser checado, mas não podia. Foi horrível”, disse Samantha em entrevista ao jornal O Globo.

Violência obstétrica é o termo que caracteriza qualquer ofensa verbal ou física praticada contra mulheres gestantes, em trabalho de parto ou no período do puerpério - seja praticado pelo médico, pela equipe hospitalar, por familiar ou acompanhante. Em 2014, a violência obstétrica foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma questão de saúde pública que afeta diretamente as mulheres e seus bebês, no entanto, aqui no Brasil ainda não existe tipificação penal para esses tipos de casos.

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