Coronavírus: negar usar máscara revela transtorno de personalidade, dizem especialistas

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Estamos vivendo tempos muito difíceis em todos os sentidos. Não só a pandemia coronavírus causou uma crise econômica que não era vista há anos, mas também medidas de isolamento e distanciamento social significaram um pesadelo para muitos.

O desespero é tanto que algumas pessoas começaram a baixar a guarda, retomando sua vida social e atividades sem tomar as medidas apropriadas.

Embora a comunidade médica tenha sugerido que as máscaras são o melhor método para evitar a disseminação do covid-19, muitas pessoas rejeitam seu uso, especialmente em alguns países como os Estados Unidos e países latino-americanos.

 

Guerra cultural

A questão tornou-se uma guerra cultural sobreposta por partidos políticos e grupos específicos que desacreditam a comunidade científica.

É assim que vários estudos psicológicos também têm sido conduzidos que explicam por que as regras não estão sendo cumpridas.

Uma delas vem de pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina, no Brasil, que descobriram que pessoas que se recusam a usar máscara têm “traços antissociais”, como baixos níveis de empatia e altos níveis de insensibilidade e risco.

Da mesma forma, evitam a ação de outras medidas, como o confinamento e o distanciamento social.

 

A pesquisa

Com um questionário para 1,5 mil pessoas entre 18 e 73 anos, a pesquisa tentou descobrir as respostas dos participantes aos sentimentos causados por outra pessoa. Eles também foram questionados diretamente sobre sua conformidade com o covid-19 ao longo do tempo, incluindo seus hábitos de uso de máscaras.

“Nossos achados foram na direção hipotética, sugerindo que a adesão às medidas de contenção é mais desafiadora para pessoas com um padrão antissocial em comparação com aquelas que têm um padrão de empatia”, disse a equipe.

Atualmente, grande parte da pressão sobre máscaras está relacionada ao cuidado dos outros. Mas, se esse estudo estiver correto, isso não é algo que importa para pessoas com comportamentos antissociais.

Segundo os pesquisadores, as pessoas que apresentam menos empatia e traços mais antissociais, como insensibilidade, decepção e risco, estão menos preocupadas em se expor e outros a riscos. Em vez disso, eles são motivados por seu próprio interesse.

 

O perigo de pensar que “nada acontece”

Pesquisadores descobriram que o cérebro humano às vezes é muito otimista para seu próprio bem. Muitas pessoas subestimam a probabilidade de um evento fatal que afeta a vida, como divórcio, acidente ou doença.

Esse fenômeno é frequentemente referido como “ilusão da invulnerabilidade”. Esse viés nos leva a crer que somos menos propensos a sofrer infortúnios e mais propensos a ter sucesso.

Acreditamos que viveremos mais do que a média e, portanto, mais propensos a ter sucesso na vida. De certa forma, pensar na realidade é enfrentar o que não queremos, uma maneira de alimentar a negatividade em nossos cérebros.

As consequências de ter esse “viés otimista” em tempos de crise é tomar decisões ruins que podem ter resultados desastrosos — como é adoecer.

 

Fonte: Nueva Mujer